Saber Cuidar da Língua

“O Objeto de sentido primeiramente eleito pela luxúria é a língua e o trato estomacal” (M. Micaell).

Falar de luxúria é rever toda a nossa vida, detalhe a detalhe, minuciosamente, de forma que veremos como estamos contaminados por essa energia que nos torna soberbos e presos às ilusões dos sentidos. Dentre as diversas formas que a luxúria pode se manifestar, vestindo-se de formas diversas, onde nos enganamos em nossas intenções, nos chama à atenção o mal da língua. Mestre Micaell ressaltou que o objeto de sentido primeiramente eleito pela luxúria é a língua e o trato estomacal. E destacando a palavra “primeiramente” nos convida a observar algo que fazemos todos os dias, corriqueiramente, que é comer e falar.  Estamos sempre a falar e a comer.

Em princípio, comer e falar são bênçãos em nossas vidas, pois nos mantem vivos e em conexão com o mundo e com as pessoas a partir da nossa comunicação com o universo ao redor. Que maravilha poder nos manter vivos e saudáveis, e poder neste plano terreno ter a chance de habitarmos um corpo divinamente arquitetado, super especializado, um milagre de células em constante trabalho. E como é bom vir ao mundo e poder ter a chance de expressar a centelha divina que Deus fez nascer em cada um de nós, e nos expressar de infinitas formas e uma delas é poder comunicar ao mundo quem somos e compartilhar com o outro a vida através da fala. Isso é maravilhoso.

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Contudo, a caminho de expressar a centelha, acabamos por nos adormecermos em meio às ilusões, vivendo um estado de letargia e entorpecimento de nossa percepção. Acabamos por desvirtuar nossos sentidos, e nos perdemos nas investidas do ego de tentar nos afastar de nosso propósito primeiro que é a manifestação da luz de Deus em nós. O ego nos puxa para baixo, nos puxa para a escuridão. E a luxúria é essa força poderosa do ego que nos contamina, entorpecendo o nosso entendimento, a nossa visão, nossos sentidos. A luxúria é força poderosa a serviço do ego.

E como é bom que uma frase como essa do Mestre Micaell chegue até nós, pois ela pode ser a chave para sairmos deste entorpecimento e enxergar a verdadeira luz. Uma única frase pode nos fazer rever toda a nossa vida. Uma única frase que toca na essência da investida primeira da luxúria em nós.

Um entorpecimento não é só um entorpecimento, ele é a causa e ao mesmo tempo resultado, fazendo girar uma roda de prisão, sofrimento e doença. Quantos de nós estamos presos aos prazeres da comida, quantos de nós ao invés de nos alimentarmos para ter um corpo saudável, comemos para ter o prazer do ego, luxúria, e comemos excessivamente, e acabamos por nos adoecer de diversas formas, adoecer o corpo, a mente. Quantos de nós temos na comida um escape de nossas angústias, ansiedades e frustrações. Quantos de nós nos deixamos levar por esse gozo, tão perecível, tão passageiro e tão material, que ficará como pó em terra.

E quantos de nós desvirtuamos a fala, mecanismo de expressão tão sublime, e passamos a uma logorreia desmedida. Uma compulsão por falar, um falar por falar, sem sentido, sem pensar. E falamos. Falamos sem parar para não nos ouvir, para não lidarmos com nossa própria vida. Falamos mal dos outros, esse gozo da língua de diminuir alguém para estar melhor. Assim, criticar sem conhecimento de causa, caluniar, mentir, julgar, aumentar as histórias, ironizar, reclamar.  Reclamar por hábito. Por não ter o que dizer substancialmente, reclamam, inventam e falam desmedidamente frases e frases a perder. Anselm Grün, um monge beneditino, diz que quem julga não está inteiro consigo mesmo. Está mais interessado na vida do outro, que não tem tempo para viver a própria vida.  E há quem fala de menos, cujo silêncio está permeado por um pensamento falador e inquieto. Tem gente que fala sozinho, pois que fala nos pensamentos. E como dizia o monge budista Thich Nhat Hanh é a estação de rádio do pensando sem parar.

E isso tudo gasta nossa energia, nos torna cansados e fracos, sem forças para realizar e construir o que verdadeiramente importa, e falar o que realmente vai construir um mundo melhor, o que vai realmente nos trazer ainda mais força. Pois a fala pode ser também uma invocação de força que nos traz puras energias e nos torna cheios de vitalidade. E vemos aí a importância da oração.

Jesus já recomendava: orar, vigiar e jejuar. Para vencer as investidas da luxúria. O Mestre Micaell nos recomenda a oração, o silêncio, a meditação e o serviço a Deus como práticas curativas, que em consonância com os ensinamentos de Jesus nos tornam fortes e aptos a trazer luz para nossa vida e enfraquecer o mal em nós. Ele nos lembra que para vencer a luxúria precisamos: “ter cuidado, mansidão e cautela, mas principalmente, uma consciência voltada para o serviço a Deus”. O serviço a Deus nos conecta com o próprio Deus e nos alinha e serena. E o Mestre Micaell nos recomenda o maior ensinamento de Jesus:

“O Amor fervoroso à Deus é a Única Força Superior e Verdadeira que desperta nas almas espirituais uma atração superior à luxúria.” (M. Micaell)

Então, amar! Amar a Deus, amar a si, amar ao outro. E assim, frear as investidas do mal da língua. Escolher amar, escolher não permitir sermos canais de impurezas da alma. Como disse Jesus, nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus; e a boca fala o que o coração está cheio.

A escolha é nossa!

 

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Dica de Leitura

Esta semana trazemos como sugestão o livro Caminho dos Essênios, escrito por Daniel Meurois e Anne Givaldan, publicado pela editora Conhecimento.

A belíssima estória contida neste livro nos é narrada dos pontos de vista de Miriam e Simão, dois dos discípulos de Jesus que viveram junto ao Mestre e estiveram junto a Ele em momentos de grande importância. Os relatos dos autores são muito profundos, uma vez que se tratam de memórias recuperadas por meio do acesso aos registros akashicos de suas vidas pregressas em viagens astrais.

Simão e Miriam viveram e foram criados na tradição dos essênios e nos contam em detalhes suas práticas e crenças, nas quais também foi criado Jesus em preparação para o cumprimento de sua missão no planeta Terra. Em emocionantes relatos, o livro nos põe em contato com a figura de Jesus, sua doçura e amor incomparáveis e também nos revela como Ele ensinava àqueles que o seguiam. O Caminho dos Essênios é leitura obrigatória para aqueles que querem se sentir mais próximos de Jesus, de seus ensinamentos, de seu Amor e também das tradições essênias, que foram fundamentais na vida do Cristo.

 

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Viva a Primavera!

“Bons novos dias! Que felizes novos horizontes se abram diante de ti e que a luz do Despertar se abra juntamente com as portas do seu coração.” (M. Micaell)

É tempo de renascimento, o frio já vai indo e é hora de abrir as portas e janelas e deixar o sol entrar. É tempo de semear, cultivar os campos e fazer florir. Quanta beleza nós podemos espalhar! Nós somos este tempo, este tempo de renascimento, é bom retirar os excessos de folhas velhas, renovar com folhas verdes, vistosas.

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A primavera trás esta reflexão e nos convida a cultivar virtudes, deixar de lado o que é feio, o que é egóico, o que é impuro, e deixar vir à tona o que temos de mais belo dentro de nós, expandir pelo mundo nossa beleza, em nossos atos, em nosso sentir, em nosso pensar. Um pensar e um sentir floridos, renovados, cheios de cores, cheios de pureza e alegria.

É tempo de nos alegrar com a boa nova!

Jesus já dizia em suas parábolas sobre a necessidade de todos nós cultivarmos o bem e de semearmos o amor. A parábola do semeador fala sobre a necessidade de semearmos em terra boa, adubada, pois daí a planta crescerá e dará bons frutos. E como estamos nos preparando internamente? Temos adubado nossa vinha interior? Temos nos conectado com a fonte? Nos preenchido com as boas energias? Se isso não ocorre, qual é a consequência? É a tristeza, a doença, a morte, a ansiedade, a raiva, a guerra. Porque uma árvore que não se torna viva e dá bons frutos, morre. Morre por não alimentar as raízes com a vida, e também é cortada e lançada ao fogo!

E como podemos nos preencher de vida? Como podemos nos conectar com energias que nos preencham de vitalidade e força, capazes de nos fazer fortes para enfrentar obstáculos, ventos e as tormentas do mal?

Uma das formas é nos conectarmos com a fonte através da oração, pois em Deus está o puro néctar da vida, está a sabedoria para iluminar nossas mentes para podemos resolver os desafios corriqueiros. E fazer como Jesus nos ensinou: adentrar a intimidade de nosso ser e sentindo cada palavra falamos ao pai:

Pai nosso, que estais nos céus, santificado seja o vosso nome, venha nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores, não nos deixeis cair em tentação e livrai- nos de todo mal, amém.

É tão simples, não necessita de nenhuma condição impossível para se conectar com o Pai. Ele é onipresente, onisciente e nos ouve a qualquer hora do dia. Ele é capaz de nos dar a graça de entrar em sua morada, em seu Reino de Paz.

Também nos é ensinado há milênios que a meditação é uma poderosa fonte de conexão e de vida. Ela é capaz de serenar nossos desejos do ego, imediatos e mesquinhos, e nos mostrar a pura verdade da vida, livre de ilusões. Meditar pode ser um caminho para iluminar nossa consciência, trazendo luz e clareza para nossos dias.

E como dizia Jesus, a maior forma de nos preencher de bonança e nos tornarmos inteiramente unos com a força de vida é amar. Amar é a lei universal. É pelo amor que tudo surge e cresce. É pelo amor que se faz a primavera. É pelo amor que a prosperidade e a abundância nos advêm. Jesus amava tanto que pode curar cegos, fazer andar coxos, multiplicar os pães, transformar água em vinho, com a força do poder do amor.

A maior de todas as flores é o amor. A maior de todas as flores é o perdão. O perdão é expressão viva de amor, expressão viva de que nada e nem ninguém pode ferir o que é divino. É a chance de renovarmos os caminhos, renascer e florescer em novo homem, ser novo, como um vinho novo. Não se põe vinho novo em vasilha de couro velho, já falava Jesus. Então que possamos nesta primavera ser novos. Amar e perdoar. O amor e o perdão são o pão de cada dia. É nossa necessidade diária, de nos perdoarmos e nos amarmos a cada dia e fazer como Jesus disse:

Vá e não peques mais!

Para que a paz esteja conosco e que o amor esteja entre nós! Que a primavera seja este convite para amar, para renascer e cultivar boas sementes.

“Ame, Ame e Ame! O Amor é sempre novo e belo, pois o Amor de hoje nunca é igual ao de ontem. Lembre-se que para um novo corpo não se levam as antigas vestimentas. Faz-se novas. Comece a tecê-las com os fios de seus pensamentos, no tear do seu coração. Sempre estarei com vocês. Amor, simples Amor.” (M. Micaell)

Venha conosco participar do Workshop: Viva a Primavera!

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Dica de Leitura

Esta semana trazemos uma obra de Chico Xavier, renomado autor espírita!

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Obreiros da Vida Eterna relata o trabalho de André Luiz junto à Casa transitória de Fabiano. Casa de luz, próxima a crosta terrestre, que serve de passagem e de moradia para desencarnados e casa de estudos para encarnados durante seus desdobramentos. O grupo a que André Luiz se apresenta cuida dos desencarnes de amigos espirituais dedicados a obra de Deus na Terra. O livro mostra como o grupo auxiliou na transição desses amigos para o plano superior.

“Jesus, sendo meu,

Sou muito feliz,

Eu vou para o Céu

Meu lindo país… ”